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Quando o Scrum é “só para as equipas”: a transformação que nunca começou

January 13, 2026

Quando o Scrum é “só para as equipas”: a transformação que nunca começou

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Scrum é aplicado somente nas equipas.

A organização anunciou com convicção:

“Vamos adotar Scrum.”

Mas havia um asterisco invisível.

Scrum seria aplicado apenas às equipas de desenvolvimento.
Líderes, gestores e middle management continuariam exatamente como antes.

O resultado? Previsível.
E mais comum do que muita gente gosta de admitir.

O ponto de partida errado

A empresa (vamos chamá-la de XYZ) queria duas coisas:

  • Entregar mais rápido

  • “Modernizar” o desenvolvimento de software

Então fez o que muitas organizações fazem:

  • Criou equipas Scrum

  • Introduziu eventos e artefactos

  • Nomeou Scrum Masters

Mas não investiu um minuto em formação séria em Professional Scrum para liderança e gestão.

Scrum foi tratado como uma prática de equipas.
Não como uma mudança de sistema.

Os sintomas não demoraram a aparecer

Em poucas Sprints, o padrão era claro:

  • “Responsabilidade” diluída, mas culpa bem distribuída

  • Avaliação individual constante

  • Foco obsessivo em cumprir tarefas

  • Zero conversa sobre resultados, clientes ou impacto

Tudo parecia Scrum.
Nada funcionava como Scrum.

Scrum transformado em comando e controlo

Aquilo que deveria apoiar aprendizagem virou fiscalização:

  • Daily Scrum: reunião de status para o gestor

  • Sprint Review: inspeção disfarçada

  • Scrum Master: gestor de tarefas com outro nome

O framework não mudou a mentalidade.
A mentalidade sequestrou o framework.

Scrum não estava a desafiar o sistema.
Estava a ser usado para reforçá-lo.

De trabalho de conhecimento a operários digitais

A métrica dizia tudo sobre a cultura:

  • Pull requests contados

  • Linhas de código medidas

  • Tarefas fechadas por Sprint celebradas

O trabalho passou a ser tratado como produção em série.

O que deixou de importar:

  • Resolver problemas reais

  • Criar valor para clientes

  • Aprender com o mercado

O que passou a importar:

“Quanto produziste esta Sprint?”

Não era falta de talento.
Era excesso de pensamento industrial aplicado a trabalho de conhecimento.

Onde o Scrum “falhou”?

Não falhou.

O que falhou foi a crença de que Scrum funciona isolado ao nível das equipas.

Scrum exige:

  • Liderança alinhada com empirismo

  • Gestão orientada a resultados, não a controlo

  • Confiança real nas equipas

Sem isso, líderes continuam a operar com modelos mentais antigos, mesmo usando linguagem moderna.

E aqui está un elefante na sala:

Scrum falha por ignorância e também porque ameaça estruturas de poder.

Scrum expõe más decisões.
Reduz controlo hierárquico artificial.
Torna visível quem cria valor… e quem apenas o supervisiona.

Se o Scrum fosse realmente organizacional

Se a liderança tivesse mudado — e não apenas as equipas — o dia-a-dia teria sido diferente:

  • Sprint Reviews como conversas estratégicas, não checkpoints

  • Métricas de resultados e impacto, não de atividade

  • Líderes a remover impedimentos sistémicos, não a pedir status

  • Equipas a negociar objetivos, não a receber listas de tarefas

Isso exige coragem.
E exige abdicar da ilusão de controlo.

Um espelho para a liderança

Antes de culpar “o Scrum”, vale a pena parar e perguntar:

  • Quem define o que é sucesso nesta organização?

  • As equipas podem dizer “não” sem consequências?

  • Os incentivos recompensam valor… ou obediência?

  • Os líderes servem o sistema ou protegem o seu lugar nele?

Estas perguntas raramente são feitas.
Porque raramente se gosta das respostas.

A transformação que nunca começou

A XYZ acreditava que estava a “fazer Agile”.

Na prática, estava apenas a:

  • Trocar eventos sem mudar comportamentos

  • Adotar rituais sem mexer nos incentivos

  • Falar de autonomia enquanto reforçava controlo

Scrum não é uma ferramenta de equipas.
É um quadro de trabalho organizacional.

Quando só uma parte muda, o sistema trata de puxar tudo de volta.

Conclusão

Este cenário não é exceção.
É o padrão.

Scrum não falha por ser fraco.
Falha quando é adotado sem compreensão, sem alinhamento e sem coragem na liderança.

Aplicar Scrum apenas nas equipas é como tentar mudar o rumo de um navio empurrando um único remo.

A verdadeira agilidade começa quando toda a organização está disposta a aprender, desaprender…
e aceitar que talvez o problema nunca tenha sido o Scrum.

Se queres saber mais sobre Scrum e agilidade para liderança junte-se a nós no nosso próximo curso PAL-EBM


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