Ciclo de Valor no seu Product Operating Model com IA:
A Engenharia para Simplificar sua operação de produto
No meu último artigo, exploramos como o Product Operating Model (POM) atua como o ponto de convergência entre as diversas abordagens de gestão moderna. No entanto, para líderes seniores e praticantes experientes, a pergunta que permanece não é "o que é o modelo", mas sim "como ele pulsa".
A resposta não reside na adoção de um novo framework, mas na estruturação do que chamamos de Value Cycle (Ciclo de Valor). Se o POM é a anatomia da organização, o Ciclo de Valor é o seu sistema circulatório. Para que ele funcione, precisamos conectar a visão estratégica à execução operacional através de evidências, e não de intuições.
A Cebola do Valor: Flight Levels e Camadas de Gestão
Como PST da Scrum.org, vejo muitas organizações de diversos portes falharem porque tentam resolver problemas de estratégia com ferramentas de operação. Para simplificar essa complexidade, utilizamos a lógica dos Flight Levels integrada à "Cebola de Gestão de Produtos". Imagine o produto como camadas que se expandem a partir de um núcleo central:
- O Núcleo (Flight Level 3 - Estratégico): A Visão de Produto e os OKRs. É o coração de tudo. Sem um norte claro e métricas de resultado, as camadas externas perdem o sentido. É aqui que mapeamos o Unrealized Value (UV).
- A Camada de Exploração (Flight Level 2 - Coordenação): O Discovery e a Inovação. Onde o núcleo se expande para reduzir incertezas e validar hipóteses através do aprendizado contínuo.
- A Camada de Conexão (Refinamento): O elo entre o que foi descoberto e o que será construído. É o Refinamento e a Expansão, garantindo que a intenção estratégica não se perca no fluxo técnico. Esse refinamento acontece em todos os níveis.
- A Camada de Execução (Flight Level 1 - Operacional): O Delivery e a Operação. A superfície visível do produto, onde o Current Value (CV) é entregue e mantido através da excelência técnica.
A Engenharia do Fluxo: Do Discovery à Operação
O Ciclo de Valor é o movimento entre essas camadas, suportado por tecnologia de ponta para reduzir o atrito manual.
1. Discovery Estratégico (Inovação e Expansão)
O Discovery não serve para validar o que já decidimos fazer, mas para reduzir a incerteza. No Flight Level 2, utilizamos ferramentas como Miro ou Mural para desdobrar objetivos em hipóteses tangíveis. Lembramos que o discovery é um processo continuo cheio de idas e vindas entre os 3 níveis.
Aqui vamos desmistificar, um discovery nada mais nada menos é que um refinamento em um formato mais estruturado.
- O Turbo da IA: IAs generativas (como Miro Assist) permitem segmentar dores de clientes e clusterizar insights em segundos, liberando o Product Manager para o pensamento crítico, não para a organização de post-its.
2. Refinamento Tático (A Ponte do Contexto)
O maior desperdício em agilidade é o "abismo do contexto" entre o que foi descoberto e o que será construído. Aqui, o uso do Gemini atua como um co-piloto técnico. Ele auxilia na escrita de Histórias de Usuário e critérios de aceite que estão intrinsecamente ligados aos OKRs, garantindo que o time de Delivery saiba não apenas o que fazer, mas por que está fazendo. Agora cabe ao responsável por cuidar do produto negociar e garantir o entendimento compartilhado desta tarefa com stakeholders e com seu time.
O Gemini atua na automação de tarefas de baixo valor cognitivo, como reports de status e comunicações de rotina, permitindo que o Product Manager foque na análise de métricas de valor e no alinhamento estratégico com stakeholders.
3. Delivery & Operations (Sustentabilidade e Execução)
No Flight Level 1, o foco é a fluidez. O uso do Jira Rovo permite uma gestão operacional preditiva, identificando gargalos antes que eles se tornem atrasos no Lead Time.
- Operações como Valor: No APOM, a manutenção não é um "mal necessário". É parte integrante do valor. Um sistema que não é mantido perde seu valor atual (CV). Uma organização de alta performance entende que a sustentabilidade operacional é o que permite a inovação contínua.
Metricas que Importam: O Framework EBM
Para líderes de produto, a métrica final não é a velocidade, mas o valor. Através do Evidence-Based Management (EBM), monitoramos o equilíbrio da capacidade em cada camada da cebola:
- Inovação: Quanto estamos investindo no núcleo e na exploração para capturar o Unrealized Value?
- Expansão: Como estamos escalando a camada de refinamento para o que já funciona?
- Manutenção: Quanto do nosso orçamento é consumido na camada de operação para manter as luzes acesas?
Uma organização de elite mantém a manutenção sob controle estatístico para garantir que a capacidade de inovação estratégica não seja asfixiada pela dívida técnica operacional.
Conclusão: Simplificando para Escalar
O segredo da agilidade em escala não é adicionar mais processos, mas simplificar o fluxo de informação do núcleo à superfície. Quando conectamos as ferramentas certas (Miro, Jira, IA) com o framework correto (EBM) e a visibilidade adequada (Flight Levels), transformamos o Product Operating Model de uma teoria complexa em uma realidade "mão na massa".
O seu ciclo de valor está produzindo evidências ou apenas ruído?
Matheus Reis é Professional Scrum Trainer (PST) na Scrum.org e fundador da SimplificaReis. Ajuda organizações a transformarem modelos operacionais complexos em fluxos de valor simples e eficientes.